sábado, 10 de fevereiro de 2018

Impressão 3D de tecido vivo para bioengenharia de órgãos!

Já falamos aqui sobre órgãos feitos por encomenda. Para fazer um órgão personalizado os cientistas precisam colocar as células do receptor em um arcabouço de formato definido. Este arcabouço pode ser impresso ou ser um órgão de um doador de onde as células foram retiradas.

Entretanto a expectativa da criação de órgãos humanos impressos em 3D ficou um pouco mais próxima da realidade. Uma equipe liderada pela Universidade de Twente, na Holanda, desenvolveu uma técnica precisa para imprimir um tecido contendo células vivas humanas. Sua pesquisa foi publicada recentemente na revista Science Advances.

A nova técnica chamada de " in-air microfluidics" envolve disparar dois jatos de fluido para moldar a estrutura. As células assim ficam no substrato.

O resultado final é um tecido 3D multicelular. Em outras palavras, é basicamente um tubo esponjoso estruturado, cheio de células vivas humanas. 

Veja o vídeo do método:



"Esses biomateriais modulares 3D possuem uma estrutura interna bastante semelhante à do tecido natural", explicam os pesquisadores. A nova abordagem microfluídica é, portanto, uma técnica promissora na engenharia de tecidos, em que o tecido danificado é reparado usando material celular cultivado do paciente. Esta técnica permite aos cientistas controlar e manipular pequenas gotas de fluido. Antes deste avanço, levaria até 17 horas para preencher um centímetro cúbico usando técnicas similares.

Mas qual é a vantagem em construir um novo órgão? Se impresso 3D e feito com células do próprio receptor não será necessário esperar um doador. O procedimento cirúrgico será o mesmo, mas se o órgão transplantado for feito com células-tronco do próprio paciente não irá haver rejeição. Ou seja, se você guardou suas células-tronco mesenquimais, poderá utilizá-las, num futuro próximo, para este fim também. Esta técnica poderá acabar com as atuais intermináveis filas dos transplantes de órgãos em todo o mundo.

Órgãos formados a partir de células-tronco já foram transplantados em humanos com sucesso. A primeira criança a receber uma traquéia formada a partir de suas próprias células-tronco tem mostrado progressos notáveis ​​desde o transplante, realizado há dois anos. Ciaran Finn-Lynch, o menino 13 anos de idade, do Reino Unido, foi a primeira criança do mundo a receber um transplante de traqueia formada a partir de células-tronco dele mesmo. Ele está respirando normalmente e não precisa tomar imunossupressores, relatam os pesquisadores em um artigo publicado no revista Lancet. O órgão não tem mostrado sinais de rejeição e cresceu 11 centímetros desde que foi transplantado, de acordo com os pesquisadores.


O futuro do transplante de órgãos está mudando (veja aqui). As células-tronco mesenquimais vem mostrando grande potencial na bioengenharia de órgãos e por isso é tão importante guardá-las o quanto antes (veja documentário da National Geographic aqui). Estas técnicas não são simples e requerem expertise para serem aplicadas. Na hora de escolher onde guardar suas células mesenquimais é importante se informar se a equipe da empresa escolhida é capaz de multiplicar as células, se a estrutura tem autorização para isso, e mais, se é capaz de realizar testes de qualidade para garantir a eficácia e segurança das mesmas.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Tratamento com células-tronco mostra que é possível reverter o envelhecimento


Um dos maiores sonhos dos seres humanos é impedir o envelhecimento e viver mais e ainda com qualidade de vida e beleza. Sendo assim, não surpreende que um dos campos de pesquisa que mais crescem é a procura de como reverter o envelhecimento. Com isso as candidatas ideias são as células-tronco!


Dois estudos clínicos recentes, envolvendo o uso de células-tronco mesenquimais para acabar com a fragilidade causada pelo envelhecimento, mostraram que a aplicação é segura e eficaz. Os resultados de ambos os estudos foram publicados na revista americana The Journals of Gerontology. Estes são os primeiros tratamento com célula-tronco especificamente dirigidos para envelhecimento.

O primeiro experimento envolveu 15 pacientes com idade média de 76 anos. Cada um recebeu infusões de células mesenquimais e após seis meses, os pacientes mostraram melhora visível na qualidade de vida e condição física. Esses pacientes respiraram com maior facilidade e caminharam por maiores distâncias do que antes da aplicação.

Já o segundo teste foi com 30 pacientes com idade média de 78 anos, e envolveu dois grupos, um recebeu células-tronco e o outro placebo. Aqueles que receberam uma infusão de células-tronco mostraram melhora pulmonar e habilidade de percorrer maiores distâncias. Além de não notar efeitos colaterais, os pesquisadores consideraram as melhoras como extraordinárias. Neste estudo a principal preocupação foi a segurança da injeção de células mesenquimais. Entretanto, os resultados positivos deixaram os pesquisadores muito animados.

Muitas pesquisas têm sido feitas para descobrir formas de retardar o envelhecimento. Entretanto, nenhuma até agora conseguiu a liberação do Food and Drug Administation (FDA), a agência que regulariza dos medicamentos nos Estados Unidos. O método das células-tronco adultas, porém, está muito perto de conseguir essa liberação.

Se os pesquisadores conseguiram estes resultados com células mesenquimais de doadores adultos, imagine se fossem retiradas do cordão umbilical do próprio paciente? Além de terem uma resposta melhor, por serem do próprio indivíduo, as células mais jovens são muito mais potentes. Por isso sempre lembramos que é melhor guardar suas células-tronco mesenquimais o quanto antes para ter células jovens (paradas no tempo) à sua disposição quando precisar!


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Tratamento com células-tronco para doença da córnea

Ceratocone é uma doença não-inflamatória progressiva do olho na qual mudanças estruturais na córnea a tornam mais fina e modificam sua curvatura normal para um formato mais cônico. A principal consequência do ceratocone é a diminuição da visão. Visão borrada, imagens fantasmas, sensibilidade à luz e presença de halos noturnos são os principais sintomas relatados pelos pacientes. Trata-se da distrofia mais comum da córnea, afetando 1 pessoa em cada 1.500 pessoas. O tratamento consiste em uso de óculos ou lentes de contato especiais. Mas geralmente a visão dos pacientes nunca fica perfeita. Muitos casos de ceratocone progredirem ao ponto que a correção visual não pode ser mais atingida, afinamento da córnea se torna excessivo, ou cicatrizes corneanas resultantes do uso de lentes de contato tornam-se um problema frequente. Nestes casos o transplante de córnea se torna necessário. Sendo que o ceratocone é a causa mais comum de indicação de transplante de córnea.

Um novo estudo mostrou que o transplante de células-tronco adultas derivadas de tecido adiposo diretamente na córnea é seguro e mais, as células sobrevivem e levam à produção de colágeno. Esta forma de terapia celular vai ajudar a remodelar e fortalecer a córnea de pacientes com ceratocone!

"O objetivo da terapia celular é reabilitar a biologia da córnea usando células-tronco autólogas. Neste primeiro estudo buscamos especificamente provar a viabilidade da técnica cirúrgica para implantar as células-tronco e avaliar a segurança do procedimento. Mas também fomos capazes de provar que as células estimulam a produção de colágeno, confirmando o que já provamos em estudos em animais", disse Jorge L. Alió, da Ocular Surgery News.

A terapia celular para regeneração de córnea ganhou muito espaço nos últimos anos. As testes terapêuticos usaram células-tronco de diferentes tecidos oculares e não-oculares para verificar a sua capacidade de se diferenciar em queratócitos. Entre eles, o tecido adiposo humano demonstrou ser ideal como fonte de células-tronco devido à facilidade de acesso, alta capacidade de recuperação celular e capacidade de suas células-tronco se diferenciarem em múltiplos tipos de células.

"As células-tronco de tecido adiposo se diferenciaram em queratócitos e produzem colágeno. Isso foi comprovado em modelos animais, e nosso estudo foi o primeiro a mostrar isso acontecendo na córnea humana", disse Jorge Alío.

O procedimento é simples e leva apenas cerca de 10 minutos. Não ocorreram complicações e não foram observados efeitos negativos quanto à função da córnea.

Este estudo sugere que as células-tronco de tecido adiposo podem ser implantadas, que o procedimento é seguro e que ainda produzem colágeno nos olhos doentes. É necessário agora de um acompanhamento a longo prazo para ver os benefícios terapêuticos deste novo colágeno e seu impacto na progressão natural da doença. A longo prazo, esses queratócitos devem poder assumir e compensar o defeito criado pelos queratócitos doentios, talvez o até restabelecimento da espessura da córnea.

A mesma terapia poderia potencialmente tratar outras formas de distrofia corneana. Pela primeira vez foi possível demonstrar que a terapia com células-tronco funciona para tratar doenças da córnea. No futuro, ao diagnosticar casos de ceratoconos, será possível oferecer uma terapia minimamente traumática e minimamente invasiva para até mesmo os estágios mais avançados da doença.