segunda-feira, 19 de março de 2018

Congresso de Terapia Celular mostra avanço nos estudos e aplicações clínicas!

No dia 2 de Março de 2018 tivemos na Assembléia Legislativa de São Paulo, o Congresso de Terapia Celular. O evento teve com a proposta abordar diversos aspectos do assunto, incluindo noções básicas sobre células-tronco, mapeamento do momento atual dos estudos clínicos e pré-clínicos para tratamento de diversas doenças, legislação e regulamentação.

Na palestra de abertura o Dr. Eder Zucconi, Ph.D contou um pouco sobre a StemCorp, como foi criada (já falamos isso aqui) e explicou a biologia dos diferentes tipos de células-tronco. Mostrou prorque a StemCorp é um centro especializado em células-tronco mesenquimais, qual é o grande diferencial da equipe e os benefícios de armazenar estas células para uso futuro. Abriu o congresso que seguiu com palestras que comprovavam a importância de armazenar as células-tronco.

A Dr. Daniela Tanikawa apresentou o uso de células-tronco mesenquimais do dente de leite para tratamento de fissuras palatinas e para Cirurgia Craniofacial. Os resultados apresentados foram inacreditáveis visto que as células-tronco são capazes de fechar a fissura óssa sem a necessidade de enxerto. Com esta técnica as crianças não precisam de cirurgia para retirada do enxerto, o tempo de internação e desconforto é diminuído drasticamente, sem contar os custos.

O Dr. Morton Scheinberg mostrou os avanços na terapia celular para osteoartrite, lesões esportivas e doenças condrais. Nós já falamos algumas vezes desse assunto aqui no blog. Ele é um parceiro da StemCorp em um teste clínico que visa avaliar o uso de células-tronco mesenquimais para osteoartite.

Dr. Rodrigo de Castro falou sobre a ulitização de células-tronco mesenquimais para tratamento de incontinência urinaria. Primeiramente mostrou dados dos testes pré-clínicos que obtiveram sucesso e em seguida contou sobre o teste clinico, em parceria com a StemCorp, escola paulista de medicina e Hospital Albert Einstein, utilizando células-tronco mesenquimais para tratamento de mulheres com incontinência urinária.

O encerramento do Congresso foi a aguardada participação de João Batista da Silva Junior, da ANVISA, que falou sobre a Regulamentação da TERAPIA CELULAR. O assunto foi bastante discutido com a audiência, visando a liberação e regulamentação do uso da terapia celular para o tratamento de doenças. João falou que ficou muito impressionado com os testes em andamento no Brasil e  que a Anvisa está disposta a não ser mais o fator limitante na disponibilização da terapia celular para os pacientes.






segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Anunciado o primeiro transplante de enxerto ósseo feito em laboratório


A empresa Bonus BioGroup, de Israel afirmou que, pela primeira vez, um paciente conseguiu curar uma lesão óssea após o tratamento realizado com células-tronco do tecido adiposo!!! Comunicado oficial veja aqui. As células-tronco do paciente foram cultivadas fora de seu corpo e transformadas em osso, que foi então utilizado para fechar a lesão óssea com sucesso.

O paciente em questão sofreu uma lesão grave na perna (tíbia) em um acidente de trânsito. Inicialmente, ele foi submetido à duas intervenções cirúrgicas para tentar recuperar o osso utilizando de pinos de metal, mas mesmo assim estas não foram suficientes. O paciente ficou com uma lacuna no osso que nenhuma forma convencional de tratamento foi eficaz em fechar. 

Quando os especialistas médicos determinaram que o osso não se curaria por conta própria com nenhuma técnica atual, ele teve a opção de passar por um procedimento experimental de cicatrização óssea utilizando células-tronco.

Mas como os ossos se colam quando existe uma fratura? Quando a fratura é simples o organismo sozinho, por meio das suas células, consegue fechar. Isso porque os ossos são feitos de células vivas. O osso compacto é um material denso que compõe 80% do seu esqueleto; o resto é feito de osso esponjoso poroso. Dentro dos seus ossos, você poderá encontrar células ósseas vivas chamadas osteócitos, bem como vasos sanguíneos, células nervosas e muitos compostos de cálcio e fósforo que atuam como estrutura. O processo de reconstrução começa imediatamente após o ferimento. Entretanto existem casos que a fratura é tão extensa que nosso corpo não consegue cicatrizar o osso sozinho.

O Bonus BioGroup alegou que encontraram uma nova maneira de resolver esse problema usando células do próprio paciente. Nesse caso, o grupo pegou as células-tronco mesenquimais do tecido adiposo do paciente e cultivou em laboratório. Então utilizaram essas células para gerar células ósseas, criando assim um enxerto ósseo pronto para ser implantado no corpo do paciente. Ao usar as próprias células do paciente o risco de uma reação imune após a injeção é zero.


"Após o transplante, as partículas ósseas se consolidam em tecido ósseo sólido e autólogo capaz de colar o osso", informa a empresa.

Mas quando dizem ser a primeira vez que um enxerto ósseo foi transplantado, provavelmente se referem ao fato do transplante ter sido feito na tíbia e não ao ato de crescimento externo das células e transformação de osso em laboratório. Nós falamos algumas vezes neste assunto aquiMais uma para grande lista de aplicações de células-tronco mesenquimais na medicina regenerativa.


sábado, 10 de fevereiro de 2018

Impressão 3D de tecido vivo para bioengenharia de órgãos!

Já falamos aqui sobre órgãos feitos por encomenda. Para fazer um órgão personalizado os cientistas precisam colocar as células do receptor em um arcabouço de formato definido. Este arcabouço pode ser impresso ou ser um órgão de um doador de onde as células foram retiradas.

Entretanto a expectativa da criação de órgãos humanos impressos em 3D ficou um pouco mais próxima da realidade. Uma equipe liderada pela Universidade de Twente, na Holanda, desenvolveu uma técnica precisa para imprimir um tecido contendo células vivas humanas. Sua pesquisa foi publicada recentemente na revista Science Advances.

A nova técnica chamada de " in-air microfluidics" envolve disparar dois jatos de fluido para moldar a estrutura. As células assim ficam no substrato.

O resultado final é um tecido 3D multicelular. Em outras palavras, é basicamente um tubo esponjoso estruturado, cheio de células vivas humanas. 

Veja o vídeo do método:



"Esses biomateriais modulares 3D possuem uma estrutura interna bastante semelhante à do tecido natural", explicam os pesquisadores. A nova abordagem microfluídica é, portanto, uma técnica promissora na engenharia de tecidos, em que o tecido danificado é reparado usando material celular cultivado do paciente. Esta técnica permite aos cientistas controlar e manipular pequenas gotas de fluido. Antes deste avanço, levaria até 17 horas para preencher um centímetro cúbico usando técnicas similares.

Mas qual é a vantagem em construir um novo órgão? Se impresso 3D e feito com células do próprio receptor não será necessário esperar um doador. O procedimento cirúrgico será o mesmo, mas se o órgão transplantado for feito com células-tronco do próprio paciente não irá haver rejeição. Ou seja, se você guardou suas células-tronco mesenquimais, poderá utilizá-las, num futuro próximo, para este fim também. Esta técnica poderá acabar com as atuais intermináveis filas dos transplantes de órgãos em todo o mundo.

Órgãos formados a partir de células-tronco já foram transplantados em humanos com sucesso. A primeira criança a receber uma traquéia formada a partir de suas próprias células-tronco tem mostrado progressos notáveis ​​desde o transplante, realizado há dois anos. Ciaran Finn-Lynch, o menino 13 anos de idade, do Reino Unido, foi a primeira criança do mundo a receber um transplante de traqueia formada a partir de células-tronco dele mesmo. Ele está respirando normalmente e não precisa tomar imunossupressores, relatam os pesquisadores em um artigo publicado no revista Lancet. O órgão não tem mostrado sinais de rejeição e cresceu 11 centímetros desde que foi transplantado, de acordo com os pesquisadores.


O futuro do transplante de órgãos está mudando (veja aqui). As células-tronco mesenquimais vem mostrando grande potencial na bioengenharia de órgãos e por isso é tão importante guardá-las o quanto antes (veja documentário da National Geographic aqui). Estas técnicas não são simples e requerem expertise para serem aplicadas. Na hora de escolher onde guardar suas células mesenquimais é importante se informar se a equipe da empresa escolhida é capaz de multiplicar as células, se a estrutura tem autorização para isso, e mais, se é capaz de realizar testes de qualidade para garantir a eficácia e segurança das mesmas.