quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Testes no tratamento com células-tronco da lesão da medula espinhal são um sucesso

Recentemente a fabricante de equipamentos médicos Japones, a Nipro, anunciou que vai lançar um tratamento baseado em células-tronco para pacientes com lesões da medula espinhal. O tratamento foi desenvolvido em colaboração com a Sapporo Medical University (Osaka, Japão). O seu ensaio clínico, que terminou em outubro de 2016, demonstrou que as células mesenquimais, após multiplicadas in vitro e re-injetadas no paciente, ficam concentradas nas áreas com maior lesão da medula espinhal e regenera o tecido. 

Durante este período, cerca de 30 pacientes entre as idades de 20 e 64 anos foram submetidos a terapia com células-tronco autólogas para tratar uma lesão. Especificamente, as células tronco mesenquimais fora extraídas dos pacientes e levaram duas semanas para serem multiplicadas em laboratório. As células foram então injetadas por via intravenosa nos pacientes, até 54 dias após a lesão. O estudo demonstrou que as células-tronco administradas foram  até o lugar onde estava a lesão, se acumularam, melhor, regeneraram o tecido!

A terapia já está em avaliação pelo Ministério da Saúde, do Trabalho e do Bem-Estar Japonês e será registrada como tratamento na área de medicina regenerativa. Apesar deste sucesso, desafios técnicos ainda precisam ser superados antes do tratamento estar amplamente disponível. Como por exemplo, com os atuais procedimentos manuais, os técnicos podem cultivar células-tronco suficientes para tratar apenas 100 pacientes por ano. No Japão, 200 mil pessoas atualmente sofrem de lesão da medula espinhal, o que aumenta em cerca de 5000 pessoas por ano. Estima-se que ocorram a cada ano no Brasil mais de 10.000 novos casos de lesão medular. A empresa está desenvolvendo tecnologia para cultuvar células em grandes quantidades e treinar os profissionais para ter células em quantidade suficiente! 

Nós já falamos aqui sobre o caso da Lais Souza, que mostrou resultados positivos com uso de células-tronco mesenquimais para lesão de medula. O uso das células-tronco no caso da Laís mostra que é possível sim aplicar as células mesmo sem ter uma terapia de rotina aprovada no país. No Brasil existem vários casos de uso aprovados baseados em analise de caso a caso. Por isso a importância de guardar as suas células-tronco. No caso de uma lesão, ter suas células-tronco jovens guardadas pode representar a uma grande diferença na terapia.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Células-tronco do cordão umbilical tratam insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca tem alta taxa de mortalidade. Cerca de 40% dos pacientes internados hospitais públicos e privados do Brasil morrem da doença. A estimativa é que 100 mil novos casos são diagnosticados a cada ano no país. É uma alta taxa de mortalidade e a busca de tratamentos eficazes que consigam melhorar as condições físicas dos pacientes é necessária.

O uso de células-tronco mesenquimais para tratamento de doenças cardíacas é assunto recorrente por aqui, vejas nossos posts anteriores (clique aqui e aqui)! Mas recentemente um estudo publicado na  revista internacional Circulation Research, mostra um novo tratamento utilizando as células-tronco mesenquimais do cordão umbilical para insuficiência cardíaca. Neste, eles mostraram que a terapia com células-tronco melhorou a qualidade de vida dos pacientes!


No estudo foi realizado em 30 adultos com insuficiência cardíaca estável. Um ano após a terapia a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) melhorou significantemente nos pacientes que receberam as células-tronco mesenquimais do cordão umbilical em comparação com os que receberam placebo.

A terapia é simples, consiste em tirar células-tronco mesenquimais do cordão umbilical e injetar via endovenosa nos pacientes. Além de não terem visto nenhum efeito colateral, os resultados positivos fizeram os autores ficaram animados! O estudo mostra que existe uma possibilidade de uma terapia não invasiva para este grupo de pacientes. E os portadores de insuficiência cardíaca enfrentam muitas dificuldades!

Os autores ainda discutem que existem estudos utilizando células-tronco de medula óssea com resultados positivos. Entretanto este é o primeiro estudo que mostra eficiência de células-tronco mesenquimais de cordão umbilical para insuficiência cardíaca. E vale lembrar que as células-tronco do cordão umbilical são mais jovens  e por isso tem maior potencial, além de estarem mais disponíveis visto que cada vez mais os pais guardam essas células dos seus filhos.

Embora ainda precise testar o tratamento em um numero maior de pacientes, a terapia já se mostrou segura e levou a melhora significativa dos pacientes. Um novo estudo com um numero maior de pacientes já está começando para certificar estes resultados.

Mais um motivo para guardar as células-tronco mesenquimais do cordão umbilical do seu bebê!!






sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É possível criar osso em laboratório?


Uma equipe das Universidade de Glasgow criou pela primeira vez tecido ósseo em laboratório. A equipe criou um dispositivo que envia nano vibrações e o usou células-tronco mesenquimais em um gel de colágeno.

Os autores do artigo, publicado na revista Nature Biomedical Engineering, descobriram que pequenas vibrações, na frequência de 1000 hertz, fazem as células-tronco se transformarem  especificamente em osso. Com essa técnica a equipe conseguiu formar uma estrutura mineralizada até em moldes 3D impressos.

Este osso formado em laboratório não é tão duro quanto o osso encontrado no nosso corpo. Mas esse problema é resolvido uma vez que o molde é transplantado no corpo. O grupo começou a tratar cães que teriam as pernas amputadas por trauma. Eles viram que após o transplante, o osso de laboratório se fundiu com o osso do animal e se tornou idêntico ao osso original. Mostrando que nosso corpo vai servir como o biorreator final, crescendo as células e finalizando o processo de mineralização!

A ideia agora é usar esse gel de colágeno em fraturas ósseas, por ser mais maleável; e os moldes quando é necessário um grande enxerto. Os autores dizem que poderá ser usado também em osteoporose!  Melhor, como eles usam o gel de colágeno, não é necessário um doador, o que acaba com problemas de rejeição.




quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Dieta aumenta o numero de células-tronco em camundongos



Um estudo realizado por oito pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na Cell Reports concluiu que restringir o consumo de calorias na dieta de camundongos preserva a saúde da pele desses animais ao aumentar sua quantidade de células-tronco. Além disso, a restrição induz o desenvolvimento de um pelo específico, chamado "guard", que diminui perdas de calor com o meio externo e ajuda a regular a temperatura do corpo.

 A pesquisa comparou camundongos submetidos à restrição calórica e de peso saudável a outros com obesidade leve. Os resultados apontaram que os animais que seguiram uma dieta mais enxuta em calorias sofreram expansão de 20% a 80% no número de suas células-tronco da pele e do pelo.

O artigo sugere também que o "guard", grosso e mais longo que outros pelos, é uma adaptação a um cenário em que a absorção de energia é mais limitada. Ele serve como um bom isolante térmico e ocorre cerca de duas vezes mais (de 6% a 8% do total dos pelos) nos camundongos que seguiram a dieta se comparado aos camundongos obesos.

O achado é particularmente importante porque não só nos ajuda a entender como o corpo responde à restrição de calorias, mas também porque indica possíveis linhas de pesquisas para minimizar processos de envelhecimento da pele.